30/9/2009
Também as religiões se inscrevem no mercado da globalização liberal e concorrem entre si, declarou o sociólogo Jean-Louis Schlegel, um dos conferencistas do Simpósio Internacional “Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica”.
O Simpósio, reunido de
A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC, 29-09-2009
Não se está, portanto, diante de uma situação de “vazio” religioso, mas de um “muito pleno”, “não num deserto religioso, mas na multiplicidade dos deuses”, disse Schlegel. Assim, a secularização não pode ser compreendida como um recuo ou o fim da religião, mas como uma recomposição do religioso, uma nova forma para a religião, assinalou.
Na mesma direção posicionou-se o professor do Programa de Pós-Graduação
“Não seria exagero dizer que hoje a lógica do mercado invadiu até mesmo o campo das religiões institucionalizadas.” O capitalismo, analisou, conseguiu colocar até mesmo o inconsciente a serviço do capital.
Assim, numa sociedade em que “a repressão foi substituída pela incitação ao gozo” o inconsciente funciona como “uma fonte de alimentação contínua do processo de produção, circulação e consumo de bens. A preocupação com o Bem deu lugar à ocupação com os bens”, frisou.
Em tal sistema, cai como uma luva a oferta das chamadas igrejas que propagam a teologia da prosperidade, nas quais a relação com o divino é mediada pelo valor dos bens numa relação de troca: se o crente demonstrar a fé pela oferta financeira, Deus o recompensará com sucesso material.
Na conferência “A narrativa de Deus a partir do diálogo inter-religioso”, o professor do Departamento de Cristianismo da Universidade de Madras, Felix Wilfred, de Chenai, Índia, destacou que a globalização “ajudou a comunicação de crenças, símbolos e práticas religiosas entre tradições religiosas, e fez com que o encontro das religiões seja mais fácil”.
Na análise de Wilfred, o diálogo inter-religioso levou seus interlocutores a se depararem com as inumeráveis formas pelas quais é possível aproximar-se do mistério de Deus.
“O diálogo inter-religioso ajudou a nos darmos conta de que chegamos mais perto do mistério de Deus quando o buscamos junto com outras pessoas, do que quando o fazemos dentro de nossa própria tradição”, constatou o sociólogo.
Na vivência do professor da Universidade de Madras, “todas as religiões juntas conseguem dizer um pouco mais a respeito do mistério de Deus do que qualquer uma delas sozinha.” Apesar desse empreendimento, “Deus sempre continua sendo mais e acima de todos os nossos esforços, tanto individuais quanto coletivos.”
A experiência de diálogo com o povo de religiões de matriz africana “só tem me feito abrir mais a minha inteligência para captar o mistério de Deus”, colocou novos horizontes, “me fez aprender mais sobre Deus”, escreveu o padre jesuíta e professor do Centro Atabaque de Cultura Negra da Universidade de São Paulo, Clóvis Cabral.
Deus é misterioso mesmo e “nenhuma religião é dona Dele, tem a plenitude de Deus
Nas palavras de Schlegel, “o ‘sagrado’ já era obscuro antes e ele o é ainda mais na sociedade moderna!”
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